sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013

O amor está se acabando e ninguém está notando.


As pessoas parecem ter medo de falar de amor. Preferem falar de futebol, da novela do 'Oi, Oi, Oi ?' que já acabou, de sexo e baladas.
O amor está se acabando e ninguém está notando.

Ela estava cansada do seu vizinho ouvindo a música do Coreano. Aumentou a Tv sem nem menos estar assistindo nada, trocava os canais desesperadamente. Tinha sono mas não conseguia dormir. As coisa ultimamente, pareciam tão banais, nada mais chamava a sua atenção, não havia borboletas no estomago. 
Queria um bom rock, ou uma música que falasse de amor. Novas pessoas, novos lugares, novas drogas. Qualquer coisa que fosse intensa. Que fosse real. E que a fizesse sentir que está viva. Pois num mundo onde as pessoas só existem, viver estar em extinção. 

Sua cama está desarrumada desde a semana passada. Dormir parece a melhor opção. Mas não havia sono, então rolava na cama, e em seus pensamentos. Sentia-se como se houvesse nascido na época errada. Seus princípios seus ideais, já não pertenciam mais a este mundo. As pessoas ao seu redor perderam o romantismo, não sabem mais o que é o amor, só pensam em dinheiro e status.

Cansada de tudo, ela queria fechar os olhos, e por um momento parar de pensar, de sentir, de sonhar. Ela fingia nunca ter amado, por ter se machucado tanto quando amou, mas ela sempre se entregava ao amor. Ela era o amor, não tinha como não ama-lá, as pessoas só não faziam ideia disso. Pois ela vivia em um mundo só seu, esperta de mais pra viver num mundo banal. 

A solidão lhe fazia companhia, e elas dançavam juntas, Lats Kiss do Pearl Jam. Ela era uma nerd, devoradora de livros e escrevia suas lembranças.

Seus cabelos dourados e compridos, estavam sujos de tinta, enquanto aquarelava um desenho qualquer, papeis espalhados pelo quarto, e uma xicará de café sobre a escrivaninha. Ela toda estabanada, vivia cheia de roxos, ainda sim gostava de suas pernas. Eram fortes. Seu coração também, mas já estava cansada de ser assim.

Desistiu de tocar violão, quando arrebentou todas as cordas do mesmo, mas ainda amara a música e seus acordes. Amar não se conjuga no passado, para ela se amava para sempre. Mas desejava nunca ter conhecido o amor, parecia tão mais fácil, ir pra balada, encher seu copo e postar fotos no Facebook de pessoas desconhecidas. 

Mas o amor era como sua sombra, não havia como fugir dela. O amor era sua alma, que as vezes, sorria, outras chorava. E ela ainda, esperava uma carta, daqueles olhos castanhos que um dia se apaixonou. E então a correspondência chegou.

Melissa Lobo