quinta-feira, 28 de março de 2013

Sorrisos, frio, infinito

Ela sorria para o mundo, como se um sorriso pudesse ser capaz de fazer as coisas melhorarem. Talvez fosse. Mas sabia que as coisas não ficaram bem tão cedo. Lá fora chovia, fazia frio, e ela ficara na janela lendo seu livro, perdidas em pensamentos. Como foi que as coisas chegaram a esse ponto? Já não sabia dormir cedo, já nem dormia muito. Quase nada.

Madrugada de Março. Desenhou um coração no vidro da janela. O mundo real parecia cada vez mais distante dela. A solidão lhe fazia companhia. Ela tinha amigos e um bom namorado. Mas eles estavam ocupados com suas vidas cheia de coisas, que não poderiam enxergar que a dela estava tão vazia. E ela não se importava, sorria. Se for pra morrer que seja sorrindo.

O silencio as vezes é bom, outras não. Ele pode lhe fazer enlouquecer. Gritou muitas coisas para ela. Verdades invisíveis, agora ao seu alcance. Ela era a mão que acolhia, a corda que te puxava, uma salvadora de vidas. Amiga para todas as horas. Cuidava quando na verdade precisava ser cuidada. Amava quando precisava ser amada. E não se importava. Estava tão acostumada. Se alimentava da felicidade alheia.

O que é a felicidade? O que é o amor? O que é a vida? O que é a morte? Poderíamos dizer que é viver intensamente. Querer a felicidade do outro sem pedir nada em troca. O inicio. O fim. Mas nenhumas dessas definições seria concreta. Tudo era o infinito. Um infinito de descrições, respostas e reflexões. Ela era o infinito. Sem descrições. Sem limitações. Sem fim. O tudo e o nada. Nada que pudesse ser compreendido. Tudo que pudera ser sentido.

Melissa Lobo